RICARDO AYOUB PIRES

RICARDO AYOUB PIRES
Ricardo Ayoub Pires, natural de Juiz de Fora - MG, filho de Alexandre Pires e de Martha Ayoub Pires, advogado graduado em Ciências Políticas e Sociais pela Faculdade ViannaJúnior. Pai de dois filhos, ambos advogados, Díderot Baía dos Santos Ayoub Pires e de Ricardo Nocera Pires. Afiliado à União Brasileira de Trovadores, Seção/JF. Colaborador como contista na Revista Razões, de Hely Martinelli; contista no Diário da Tarde 1976/1979;
chargista no Jornal Urgente, de Messias da Rocha 1975; autor do Livro Ratos 2 poemas 1976; chargista no Jornal Bar
Brasil, do DCE 1976; contista no Jornal Imagem 1978; contista no Jornal A Região, de Bicas, 1977; contista no Jornal Voz de São João Nepomuceno,2000; contista no Jornal de São Lourenço, 2005, laureado com o Troféu Imprensa, 2003 e 2004, pelo Jornal Polêmica, de São Lourenço - MG. Menção Honrosa, classificado em VII lugar no Salão de Poesia Luso-Brasileira/JF, 1977; participante do VIII Festival de Poesia Falada em Varginha -MG, 1977; Menção Honrosa por ter se classificado em VIII no Segundo Salão de Poesia Luso-Brasileira/JF, 1978; participante da I Gincana de Artes Plásticas de JF, 1979; participante da Coletânea Poesia em Juiz de Fora, 1981; participante da Coletânea Universos Divergentes JF, 2017; classificado em X lugar, nível municipal, no XI Jogos Florais de Juiz de Fora-MG; classificado em I Lugar, nível nacional/internacional, segmento Humor, nos LX Jogos Florais de Nova Friburgo -RJ, 2019; participante do volume I da Coletânea Múltiplas Palavras-JF.

Este olhar, este sorriso
em seu rosto angelical...
tudo de bom que preciso
pra que me sinta tão mal.

Com o controle remoto
tem hora que me embaralho,
e até pra descansar noto
que tenho muito trabalho.

Escrever me faz feliz,
pois, às vezes, o que escrevo
em cada palavra diz
claramente o que não devo.

Será que quem tem saudade
permanece ainda amando
ou se com o tempo e com a idade,
é melhor viver sonhando?

De boa fé, corro risco
em equívocos sutis,
de ter um amigo Francisco
que não nasceu em Assis.

Sem fazer arte dramática,
com a alma sempre ferida,
fui me tornando, na prática,
ator no palco da vida.

Minha mãe sem alvoroço,
com panelas no fogão,
com fubá, arroz, feijão,
dava vida ao nosso almoço.

Se já não sente prazer,
é melhor me descartar...
Quem sabe é melhor nem ter,
do que me ter sem usar.

O homem na face da Terra
em qualquer lugar é mau,
no Brasil ou na Inglaterra,
em Londres ou no Piau.

Dentro do Império Romano
e do delírio Nazista,
provou-se que o amor humano
à força não se conquista!

Bernardo, vê se se manca,
no Brasil amulatado:
uma escrava Isaura branca
igual marfim de teclado?

Não ame! Quem ama é fraco,
sempre cai no precipício.
Pior que o álcool e o tabaco,
o amor é um maldito vício.

Vuitton, Cartier, Lacoste,
Armani e Diesel até,
posso comprar – não aposte –
lá no armarinho do Zé.

Ouço uma orquestra se nós
cantamos entre os gemidos,
porque seu timbre de voz
é música aos meus ouvidos.

Meu paladar se acostuma
com chás de todas as flores,
mas, dentre tantas, tem uma
que vai curar minhas dores.

Eva nunca quis supor
ao ver naquela manhã,
o pecado de Adão por
só ter comido a maçã.

Se imaginasse o que tem
em meu coração sonhando,
não diria que não vem
a quem vive lhe esperando.

Quando um homem nasce só
olha a sombra onde caminha.
Depois que voltar ao pó,
verá que nem sombra tinha.

Fique em casa, beba e coma
contente por ver a lua.
Há dois anjos de Sodoma
caminhando em cada rua.

Quem vai pra direita agora,
para a esquerda ou para o centro,
se um vírus veio de fora
para nos matar por dentro?

Não creia em azar nem sorte
ou em sortilégios até.
Não existe reza forte
pra quem é fraco na fé.

A minha vida ridícula
com drama acima da média,
mais parece uma película
de amor que virou comédia.

Nas regiões subcrustais
sombrias com pouca luz,
vibre outras ondas mentais
na frequência de Jesus.

RICARDO AYOUB PIRES