MARIA DE FÁTIMA SOARES DE OLIVEIRA

MARIA DE FÁTIMA SOARES DE OLIVEIRA – Natural de Itambacuri, MG. Desde o primário revelou sua veia poética sendo seus versos infantis, na época, muito apreciados por todos. Mudou-se para Juiz de Fora em 1977, casou-se e constituiu uma família muito unida. Vinte anos depois, cursou o ensino médio pelo supletivo na Escola Municipal Olga Burnier. Trabalhou na Cia. Têxtil Ferreira Guimarães. Exerceu o cargo de serviços gerais, tendo trabalhado, inclusive, em creches comunitárias da AMAC como berçarista para ajudar no sustento da família.
Ingressou na UBT no ano 2000, conseguindo algumas premiações em vários Jogos Florais do Brasil e uma classificação em Portugal. Foi presidente da UBT- Seção de Juiz de Fora – MG de 2014 a 2016.

Das mágoas, dos embaraços,
palpando a dor da ferida,
uso o cinzel dos fracassos
para esculpir minha vida.

Para alcançar seu abraço,
cega ao amor me entreguei.
Saltei sem medo no espaço
e só o abismo encontrei.

Viúvo... Sem esperanças,
o velho chora em segredo,
fitando o par de alianças
em união num só dedo.

No Natal que se festeja,
a união se faz presente.
Que o Natal presente esteja
no dia-a-dia da gente!

Pondo encanto ao seu destino,
entre os ateus e pagãos,
nasceu, humilde, um menino,
trazendo o mundo nas mãos.

O tolo deixa- se amar,
sem dar de si nos caminhos,
e, cego, faz-se exaltar,
no pedestal dos mesquinhos.

No futebol, vi provado,
que a vida é um jogo. Ocorreu,
que gols eu fiz... mas logrado:
foi contra o time que é meu!

A sorte, assim eu suponho,
ao fim de nossa existência,
varre em nós sonho por sonho
sem encontrar resistência.

Vai o amor, vem a saudade,
vem a saudade e a dor vem
e em meio a tanta ansiedade,
eu sofro como ninguém!

O amor não nasce moldado,
mas num cuidar paralelo,
feito um cristal lapidado
torna-se forte e mais belo.

Meu destino fez-me artista,
dos engodos e ironias;
sou da vida equilibrista,
corda bamba em ventanias.

Orvalhos cristalizados,
caindo em noites sem luz,
parecem prantos jorrados
dos olhos teus, meu Jesus!

Creio bem mais na oração
centrada à mente, ao seu jeito.
Que vale um terço na mão
com mil rancores no peito?

Valeu a espera tardia...
O amor transborda perfeito...
E a camisola macia
descansa aos pés do meu leito.

Ao ver meu peito magoado,
aberto em chagas sem fim,
o próprio medo, pasmado,
ficou com medo de mim!

Benditas mãos que estendidas,
no empenho e perseverança,
levam saúde a outras vidas,
providas de uma esperança.

Lembro a infância em minha rota,
doce e isenta ao desengano:
meus barquinhos eram frota
e a enxurrada um oceano.

Adeus! Mas apressa-te, anda,
às aventuras se anseias,
trocar a nossa varanda
pelas varandas alheias.

Tempo-ladrão que saqueia
da vida os sonhos profundos,
feito os castelos de areia
que o mar desmancha em segundos!

Por mais que um sonho distorça,
herdei, meu pai, os teus brios,
e essa herança me dá força
para enfrentar desafios.

Canarinho, entre as mãos santas,
de São Francisco és louvor.
Mensageiro és quando cantas
as mágoas de um trovador.

Serenata que inda existe,
sem luar e sem violas,
é ouvir um canto triste
preso às grades das gaiolas.

Feito nuvens carregadas,
ofensas, só fúrias vãs,
que impedem, nas alvoradas,
vestir- se à luz das manhãs.

Vi um cenário bendito,
que o anjo ao toque não erra:
a borda azul do infinito
beijando o verde da serra.

Preso ao remorso dorido,
meu coração condenado,
vive um amor proibido,
sem resistir ao pecado.

Deus vendo o povo sem brilho,
andando em treva e entre lodos,
derrama o sangue do filho
em benefício de todos.

Louvar em verso eu queria,
mas, Deus, a rima senti
tão pobre, em tal ousadia,
que escrevo só: - Creio em Ti!

O quase foi meu relato
num verso feito apogeu
e o quase, eu sei, hoje é fato,
consolo de quem perdeu.

Se acontecesse algum dia,
e Cristo à terra voltasse,
creio que o homem bateria
de novo na sua face.

Se um desejo me consome
de beijar-te entre um abraço,
escrevo em versos teu nome
e beijo os versos que faço.

Fracasso, dor que intimida
minha alma ...e triste caminha...
Por querer tudo na vida,
eu perdi tudo que tinha!...

Lado a lado, prontamente,
fiel sempre é aquele amigo,
que jamais diz: vá em frente,
mas antes diz: - vou contigo.

MARIA DE FÁTIMA SOARES DE OLIVEIRA