MARGARIDA TANINI

MARGARIDA TANINI nasceu em Carlos Alves- MG. Mora em Juiz de Fora há mais de cinquenta anos. Aposentada, não possui formação acadêmica. É amante da poesia desde criança. Já participou de algumas coletâneas, entre elas ”Brasil 500 anos” e “Múltiplas Palavras”, Volume I. Premiada em Concursos de Trova e Jogos Florais por todo o Brasil e também de poesia, destacando-se como excelente sonetista. É autora do livro “Quero falar de Deus” de trovas e sonetos.

Aprendi não ser vencida
na escola que me restou,
pois, tudo que sei na vida,
a vida que me ensinou.

Não chores pelo passado
se a escolha te faz sofrer.
Pior que escolher errado
é nem poder escolher...

Sigo com fé na labuta
e sempre a Deus dando glória,
pois, se meu nome hoje é luta,
amanhã será vitória!

Guerreiro de mãos serenas
é quem sozinho é capaz
de enfrentar o mundo, apenas,
munido de amor e paz.

Para que eu possa fugir
da guerra, evitando as mágoas
Senhor, se mar não se abrir
me faça andar sobre as águas!

A vida tecendo a teia
fez do meu sonho este engano,
que parece um grão de areia,
na frente de um oceano.

Eu já vivi tantas eras
de inverno no coração,
que nem mesmo as primaveras
mudam em mim a estação.

Como é belo aquele ar puro
do amanhecer no sertão,
sem mágoa, sem tranca e muro
e sem falsa multidão.

Achando a casa vazia,
sozinha, pus-me a chorar,
pois, vi que você já havia
cansado de me esperar.

Sufocou-me de carinho,
na minha mais tenra idade,
quem me deixa, hoje, sozinho,
sufocado de saudade.

Só Deus sabe e a voz se cala
nos lamentos que se vê,
nos lábios de quem não fala,
nos olhos de quem não vê.

Bendigo sua nobreza,
que até nos tempos de dor,
lutou e manteve acesa
a chama do nosso amor

Já vai longe a mocidade
e na vida, eu só não pude,
fazer passar a saudade
do vigor da juventude.

Numa curva perigosa
de um trecho quase sem luz,
repousa triste uma rosa
sobre a poeira da cruz.

Dentro de um livro amassada
já sem aroma e sem cor,
conta a florzinha encontrada
a história do nosso amor...

Parece um barco ancorado
num braço de mar estreito,
meu coração sufocado
no triste cais do meu peito.

Entre milhões e centenas
de riquezas, tudo enfim,
mamãe eu queria apenas,
que voltasses para mim...

Mamãe, da sua conduta
herdei a coisa mais rara,
a força e garra na luta
e a vergonha em minha cara.

Eu, caminhava tristonho
no mundo, só, sem guarida,
mas a conquista de um sonho
pôs sonhos na minha vida.

É inverno e sem ti na cama,
eu disfarço meus martírios
delirando a doce trama,
que eu tramo em doces delírios.

Para afastar os assombros
da vida, se foge a luz,
põe um sorriso nos ombros
que fica mais leve a cruz.

Uma flecha e, ao dispará-la,
Cupido foi tão perfeito,
que por mais tente eu tirá-la,
mais se entranha ela em meu peito.

Do nosso amor nas caladas,
relembro as noites finais,
vendo as velas apagadas,
chorando nos castiçais.

Sigo com fé na labuta
e, sempre, a Deus dando glória,
pois, se o meu nome hoje é luta,
amanhã será vitória.

MARGARIDA TANINI