MÁRCIA JABER DE BARROS MOREIRA

MÁRCIA JABER DE BARROS MOREIRA – Nascida no município do Rio de Janeiro, membro da UBT-JF (União Brasileira de Trovadores - Juiz de Fora), membro da OMT (Organização Mundial de Trovadores), acadêmico correspondente da Academia Literária Internacional – ALPAS 21. Possui diversos troféus e diplomas conquistados em concursos locais , nacionais e internacionais. Participa de diversas antologias e coletâneas.

A casa, última fronteira
dos cansaços da labuta,
é proteção altaneira
mesmo sendo diminuta.

És velha ponte, esquecida,
que o rio, sem avisar,
nos descompassos da vida
foi fluir noutro lugar.

Mãe, de beleza singela,
em noite escura, sem brilho,
aos meus temores debela,
ao dizer – Dorme, meu filho.

Depenado pelo galo,
o papagaio atrevido
e sem vergonha, no embalo,
diz que a bossa é andar despido.

A opinião absoluta
recusa contradição
e acirra sempre a disputa
na conquista da razão.

Tomou cascudo à vontade,
por ter olhado sem pena,
junto da cara metade
para as pernas da morena.

Vendo o velhote posudo
com a irrequieta gatinha,
aquele cara abelhudo
pergunta se era a netinha.

Sem sucumbir à fraqueza,
ao cair, põe- se de pé!
Não há maior fortaleza
que um homem cheio de fé.

O respeito à dor alheia
forja o espírito de luz,
que vem ao mundo e semeia
as sementes de Jesus.

Tanta burrice se esboça
no congressista safado,
que lhe dão uma carroça
com a placa do Senado.

Emoções embaralhadas
fartam nossas trajetórias,
num carrocel de ciladas
girando em nossas histórias.

As ovelhas bem guardadas,
distantes do predador,
são aquelas amparadas
na conduta do pastor

Há, na linha do horizonte,
sob as névoas escondida,
uma translúcida ponte
a nos ligar a outra vida.

Não consigo controlar
esse impulso que desperta,
quando tento não te amar,
mais o desejo me aperta.

A trova que da alma eclode
em meus dias tão tristonhos,
é qual bênção que me acode
e abre a janela dos sonhos.
Tuas mãos de mil cuidados,
nas quais me amparo e me curo,
sob o véu de tristes fados,
Mãe! Tuas mãos eu procuro.

Se o mar, bravio e voraz,
me sucumbe em dissabores,
na oração, porto da paz,
eu ancoro as minhas dores.

Em seu ninho, entre cuidados,
o pássaro ajeita as penas,
eu, sozinha, em tristes fados,
não tem jeito as minhas penas.

MÁRCIA JABER DE BARROS MOREIRA