JOSÉ PAULO CORRÊA DE SOUZA

JOSÉ PAULO CORRÊA DE SOUZA, nasceu em 2 de fevereiro de 1949, na cidade de Juiz de Fora. Formado em odontologia pela UFJF em 1972, é especializado em endodontia. Sempre exerceu a profissão na cidade.
Dedicou-se à música desde cedo, como complemento de prazer, realização e amor pelos acordes musicais que o violão oferece. Participou de diversos festivais de MPB. No mundo do samba é conhecido como Paulo Canário. Compôs vários sambas para deversas Escolas de Samba do primeiro grupo.
Estimulado por parceiros poetas, entrou, também, no universo dos trovadores, fazendo parte da UBT – JF há cerca de seis anos, tempo em que obteve diversas premiações em concursos e Jogos Florais pelo Brasil.

TROVAS FILOSÓFICAS OU LÍRICAS

Nem sempre nos cobre a lama,
mesmo quando a lama é pura,
pois, se é suja a sua fama,
há lama que também cura.

Destino é longa viagem
por uma estrada comprida,
em que preço da passagem
jamais é pago na vida.

Dormindo qual tartaruga,
sonhando, bem devagar,
a justiça não madruga,
pois não consegue acordar.

Em meio a este caos profundo,
percebo, ante tantas lutas,
que não existem no mundo,
as verdades absolutas.

Não há tropeiro que negue
que sonha desde menino,
uma tropa que carregue
o peso do seu destino.

Pode a saudade esperar
as águas da maré cheia,
nas mansas ondas do mar
onde a ternura vagueia.

Percebi novos valores,
na constante caminhada
ao ver, que grandes amores,
sendo tudo, foram nada.

Tem sempre um novo horizonte
no sedento dia a dia,
quem busca água na fonte
chamada sabedoria.

Na orquestra, em grandes momentos,
só o doce som dos violinos,
traz aos outros instrumentos
os sentimentos mais finos.

Pelas misérias passadas,
por favor, meu Deus, inclua
crianças abandonadas
nas festas da minha rua.

Esperando a chuva... nada!
Nem um pingo no sertão!
E brota, desesperada,
sede nas trincas do chão.

Neste amor à moda antiga,
nos momentos de paixão,
o beijo é o sabor que liga
nossa boca ao coração.

TROVAS DE HUMOR

Atualmente, anda em busca
de antigas glórias, o Zeca.
Mas, hoje, é pneu de fusca
velho, redondo e careca!

Dançando, duas caveiras
discutem, bastante sério,
quais as melhores maneiras
de assombrar o cemitério.

Vendo o cabelo sumir
entre as orelhas pontudas,
estou careca de ouvir
piadinhas bem cabeludas.

Tentava comprar a empresa
com o nome sujo na praça,
quando a dona, de surpresa,
deu-lhe o negócio de graça.

Usou a senha esquecida
pela mulher num bilhete.
Pagou no bar a bebida
e em casa entrou no cacete.

Os peitinhos da Maria
eram seu orgulho antigo.
Mas, pela idade, hoje em dia,
já estão mamando no umbigo.

Tem grande insônia a coitada
da minha sogra, Ana Conda:
tem que dormir enrolada
mas não tem cama redonda.

Preta véia interesseira,
se recebe a pomba-gira,
queima o rabo na fogueira,
fica doida, cai e pira!

Disse-me assim uma dona:
- seu calor me faz maluca...
É agasalho que apaixona,
mas me traz frio na nuca.

Na loja de falsa linha,
uma perua maluca
quis bancar a “passarinha”
mas caiu numa arapuca.

É preciso ter cuidado,
protegendo a própria vida,
para nunca ser o achado
de alguma bala perdida.

Com a cara amarrotada,
era tão feio o fedelho
que fugia em disparada
quando se olhava no espelho.

JOSÉ PAULO CORRÊA DE SOUZA